27 de fevereiro de 2018
Essa guria sou eu
Eu não sou aquela garota que posta selfie com um iPhone de última geração. Não uso roupas de marcas, nem bolsas caras. Não frequento restaurantes bacanas ou baladas da moda. Minhas pouquíssimas joias foram herança ou presente.
Sou vaidosa, mas não o suficiente para ficar perfeita, ou aguentar um dia todo de salto alto. Meu cabelo é bagunçado e vivo com pressa para escová-lo. Sou delicada, mas não elegante como uma lady. Sou sensível, mas falo alto e solto um palavrão no meio das frases com frequência.
Gosto de ler e me julgo culta, mas falo rápido e me perco na conjugação verbal. Gosto de sorrir e não me importo de ser dentuça, mas ainda fico constrangida por causa do aparelho.
Não gasto dinheiro em um carro novo ou num vestido incrível, mas uso ele para pagar a conta do veterinário. Adoro dar presentes, mas detesto quando eles servem para impressionar em vez de demonstrar carinho.
Vivo conectada às redes sociais, mas me incomoda a futilidade e as falsas alegrias que todos nós aqui postamos.
Faço academia e cuido da minha alimentação, mas não tenho orgulho do meu corpo. E nunca eu nego uma boa fatia de pizza daquela pizzaria tradicional da cidade que não tem frescura.
Minha aliança não é de ouro, mas meu casamento é feliz e nobre. Não vivo sob holofotes, mas minhas continhas estão pagas. Não viajei o mundo, mas minha imaginação é terra fértil. Me dedico naquilo que faço e tento agradar as pessoas, mas não faço isso se for por meras vaidades.
Sou uma guria simples. Excêntrica na época da escola, chatinha na época da faculdade. Bobona e pacífica, mas sempre desejo castigar aquelas pessoas no trânsito que andam no acostamento e se atravessam quando não podem, ou qualquer pessoa que tenta tirar vantagem de alguma forma, por se achar importante. Odeio gente se alto julga “importante”.
Odeio também quem reclama de comida, afinal sempre há algum no mundo que sofre por causa dela e não existe paladar mais forte que a fome. E é verdade quando digo que até bolacha Maria me faz feliz.
Tenho medo de dirigir em locais de movimento, ou em lugares que não conheço, medo de aranhas e de ficar sozinha em casa, mas não tenho medo de sapos, acho eles realmente graciosos.
Choro fácil. Me apego fácil e sou leal. Valorizo a lealdade.
Gosto de gente sincera, mas detesto pessoa mal educada. Cada Gesto mal ou palavra espinhenta deveriam ser pagas com uma generosa colherada de pimenta na língua.
Minhas verdadeiras amizades são simples como eu. Não reclamam da cerveja, da cadeira ou da vida. Não são filhas de fulana, casadas com cicrano, ou estampam colunas sociais. São pessoas de carne, osso, coração e elas têm o sorriso sincero e abraço verdadeiro. Gosto delas porque posso ser tudo isso que estou dizendo que sou.
No passado, percebi que a tristeza e a indignação eram combustíveis para escrever. Muitas vezes acho que faço tudo errado, sou toda errada. É comum me achar menos inteligente, menos criativa, menos bonita, menos interessante. Aí tenho que chorar um dia todo pela morte de uma gatinha que foi minha apenas por uma semana para eu lembrar que nada disso é realmente importante e que eu, assim como todo mundo, têm sim atributos que fazem ser uma pessoa especial.
Ontem escrevi a história sobre a Miau (no meu Facebook), não para ganhar curtidas, ou para terem dó, mas sim porque meu coração estava apertadinho. Afinal, é frustrante quando a gente faz tudo certo, imprime o melhor de nós e mesmo assim não atinge os nossos objetivos. Obviamente sou racional o suficiente para entender a lógica e a natureza, reconhecer que foi feito tudo ao alcance e não sentir culpa.
Não estou revoltada com a vida, ou com as pessoas diferentes de mim, sou grata a tudo, só é que às vezes me sinto confusa, tem vezes que me sinto menosprezada por ser simplória e às vezes acho que está aí a minha grandeza.
Moral da história... nenhuma. Só tem dias que faz bem a gente se firmar naquilo que é e que acredita.
Texto escrito dia 5 de dezembro de 2017.
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